Cultura
Centro de visitantes da baleia-franca em Itapirubá Norte, com exposição de esqueletos marinhos.
Museus · 10.9km de Imbituba · Av. Atlântica
Patrimônio histórico para conhecer de perto 🏛️
Sede do Instituto Australis / Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca e Espaço Australis, na Praia de Itapirubá Norte (Av. Atlântica, s/n). Exposição de esqueletos e educação ambiental Visitação terça a sábado (divulgado 9h–12h e 14h–17h).
Memória do lugar
O Instituto Australis é uma das principais referências de Imbituba quando o assunto é conservação da baleia-franca e proteção da vida marinha. Sua história está diretamente ligada à recuperação de uma espécie que, por muitos anos, esteve ameaçada de desaparecer do litoral brasileiro.
Durante séculos, a baleia-franca foi intensamente caçada. Em Santa Catarina, essa atividade fez parte da história econômica e cultural do litoral, e Imbituba teve um papel importante nesse período. O último registro de caça de uma baleia-franca no litoral brasileiro ocorreu em **1973, em Imbituba**. Depois disso, por algum tempo, acreditou-se que a espécie praticamente havia desaparecido das águas catarinenses.
A história começou a mudar no início da década de 1980. Em **1981**, o ambientalista e Vice-Almirante **Ibsen de Gusmão Câmara**, um dos nomes importantes na luta contra a caça às baleias no Brasil, passou a investigar relatos de pescadores e moradores que diziam voltar a observar as antigas “baleias pretas” no litoral do Sul do país.
Com poucos recursos e a ajuda de voluntários, foram realizadas expedições, entrevistas com comunidades costeiras e observações ao longo dos litorais de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
A confirmação chegou em **1982**, quando uma fêmea adulta acompanhada de seu filhote foi registrada no litoral catarinense. Outras observações realizadas naquele mesmo ano comprovaram que as baleias-francas estavam novamente utilizando a costa de Santa Catarina como área de reprodução e cuidado dos filhotes.
Nascia assim o trabalho que ficaria conhecido como **Projeto Baleia Franca**, hoje denominado Programa de Pesquisa e Conservação da Baleia Franca – ProFRANCA. Desde então, pesquisadores passaram a acompanhar sistematicamente os animais que todos os anos chegam ao litoral Sul do Brasil.
Ao longo das décadas, o projeto ajudou a desenvolver pesquisas pioneiras sobre as baleias-francas. Entre as técnicas utilizadas está a **fotoidentificação**, que permite reconhecer individualmente cada baleia pelas calosidades existentes em sua cabeça, que funcionam de maneira semelhante a uma impressão digital. Esses estudos ajudaram a compreender melhor as rotas migratórias, o comportamento e a recuperação da população da espécie no Atlântico Sul.
Em **2003**, outro importante capítulo começou em Imbituba. Na Praia de **Itapirubá Norte**, foi construído o atual Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca. O terreno foi doado pela própria comunidade de Itapirubá e o espaço passou a servir como base para pesquisas, conservação e, posteriormente, para receber visitantes interessados em conhecer mais sobre esses gigantes do oceano.
Já em **2015**, foi criado oficialmente o **Instituto Australis de Pesquisa e Monitoramento Ambiental**, uma organização sem fins lucrativos responsável por apoiar e dar continuidade às atividades de pesquisa, monitoramento, educação ambiental e conservação desenvolvidas ao longo de décadas pelo Projeto Baleia Franca.
Sua sede fica justamente em Itapirubá Norte, uma das enseadas frequentemente utilizadas pelas baleias-francas durante sua temporada reprodutiva no Brasil. Entre aproximadamente julho e novembro, mães e filhotes podem ser observados ao longo do litoral catarinense, transformando a região em um verdadeiro berçário natural da espécie.
Além da pesquisa científica, o Instituto desenvolve atividades de educação ambiental, monitoramento das baleias, apoio à conservação marinha e ações junto às comunidades costeiras. O Centro de Visitantes permite conhecer melhor a biologia da baleia-franca, sua história, as ameaças enfrentadas pela espécie e o trabalho realizado para protegê-la.
O trabalho desenvolvido ao longo dessas décadas também contribuiu para iniciativas fundamentais de proteção da espécie, incluindo estudos e propostas relacionados à criação da **Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca**, que protege uma extensa faixa do litoral catarinense.
A história do Instituto Australis representa uma das transformações mais simbólicas de Imbituba: **uma cidade que no passado participou da caça às baleias tornou-se uma das principais referências brasileiras na proteção da baleia-franca.**
Hoje, quando uma mãe e seu filhote aparecem nas águas tranquilas de Imbituba, eles representam muito mais do que um espetáculo da natureza. São também o resultado de décadas de pesquisa, conscientização e conservação.
De baleias caçadas a baleias protegidas, o Instituto Australis ajuda a contar uma das histórias mais importantes do patrimônio natural de Imbituba.
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